Igreja Paroquial
Celebração da Eucaristia:
Domingo
- 9h00
A Igreja Paroquial situa-se a norte da freguesia, tendo a seus pés uma paisagem deslumbrante, onde as tonalidades do verde da veiga e do pinhal se cruzam com as da terra acabada de lavrar e com as águas do rio e do mar. O ambiente envolvente, marcado pelos sons da natureza, convida à contemplação e à interiorização.
A referência à sua construção perde-se na memória dos tempos. Sabe-se, porém, que a pia baptismal data de 1739 e que a fachada apresenta pormenores arquitetónicos identificados com o século XVIII. A porta lateral, a norte, apresenta um arco de estilo seiscentista, enquanto a escadaria, do lado direito, dá acesso ao coro e ao campanário.
O conjunto compreende o espaço de culto, a sacristia, a torre do campanário, com dois sinos, e o adro, cimentado e ajardinado em 1939, que rodeia todo o templo. As últimas obras, realizadas em 2009, incidiram na área envolvente e na escadaria de acesso ao adro, contribuindo para a valorização e dignificação do espaço. O projeto foi da autoria do arquiteto Carlos Araújo. As obras foram possíveis graças ao esforço conjunto da Câmara Municipal de Caminha, da Junta de Freguesia de Cristelo e da Paróquia de Cristelo.
Do lado sul situa-se a Casa da Irmandade das Almas, que dispõe de instalações sanitárias e de dois grandes salões: um destinado a festas, reuniões e outras atividades e outro que funciona como capela mortuária.
A capela-mor, com retábulo de estilo barroco, apresenta um sacrário de grande beleza, ornamentado com baixos-relevos. Nas pinturas laterais podem apreciar-se as imagens de São Paulo e São Francisco, do lado direito, e de São Pedro e Santo António, do lado esquerdo. Em tempos, terá existido na tribuna uma imagem de Cristo Crucificado, datada do século XVIII.
Do lado esquerdo encontra-se a imagem do padroeiro, São Tiago, cuja festa se celebra a 25 de julho, e, do lado direito, a imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Junto ao arco-cruzeiro, o altar do lado direito apresenta as imagens do Sagrado Coração de Jesus, do Imaculado Coração de Maria e do Menino Jesus. São Sebastião, objeto de grande devoção popular, encontra-se num nicho situado do lado direito.
Do lado esquerdo, um baixo-relevo em talha simples é dedicado às Almas. As imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Dores e Santo António, todas do século XVIII, juntamente com a imagem de Santa Teresinha, de época mais recente, compõem este espaço. No lado sul encontram-se as imagens de São José e de Nossa Senhora de Fátima.
Os tetos da capela-mor e da sacristia foram mandados forrar a madeira pelo Cónego Dr. José Pedro da Costa, aquando da sua visita a Cristelo, em agosto de 1818.
Ao longo dos anos, esta Igreja foi beneficiada com diversas obras de restauro, algumas delas com o apoio da Junta de Freguesia. Entre as intervenções realizadas destacam-se as de 1900, 1909, 1930, 1938 — ano em que foi colocado um sino durante a festa do padroeiro —, 1980, com a intervenção nos tetos e a pavimentação das sacristias, 2001, com a remoção do soalho existente, a recuperação das guias de pedra e a colocação de taburnos de madeira, e 2003, com a substituição do telhado.
Os horários das celebrações nos restantes lugares de culto da freguesia e nas paróquias do Arciprestado de Caminha podem ser consultados neste site, no separador “Celebrar”.
Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso
Numa ligeira elevação da mata do Camarido, em frente ao Rio Minho, quando este beija as
águas do Oceano Atlântico, encontramos uma pequena capela que ficou a dever a sua
existência ao insucesso da tentativa de invasão francesa. Em 1809, quando o general Soult
tentava entrar em Portugal pelo Rio Minho, as gentes de Caminha, devotas da Senhora das
Neves, pediram a sua intercessão e cumpriram a promessa de erigir-lhe uma capela, ali
mesmo, se conseguissem sair vitoriosas no combate de 16 de Fevereiro. A marca do tempo
provocou um tal estado de degradação que em finais do século XIX ficou praticamente
destruída. Em seu lugar, entre 26 de Julho e 28 de Setembro de 1941, por iniciativa de
Manuel Rodrigues Pires e da colaboração de Manuel Busquets de Aguilar, homens de Cristelo
restauraram completamente o edifício, onde foi colocada uma imagem da Senhora das Neves,
estilo setecentista, oferecida pelo caminhense Domingos Roque.
A capela foi toda restaurada (telhado, tecto, paredes e chão) a expensas da Paróquia de Cristelo.
Em Nossa Senhora do Bom Sucesso, nome pelo qual passou a ser conhecida, também chamada de Nossa Senhora das Areias, encontramos a devoção do povo a Maria pela intercessão junto do Filho para que Portugal não sofresse os efeitos da segunda invasão francesa. A graça concedida trouxe grande fervor às pessoas das redondezas, realizando-se, anualmente, a sua festa no 1.º Domingo de Setembro.
Além da imagem da Virgem, que recebe também o nome de Nossa Senhora das Areias, central, existem, ainda as imagens de Nossa Senhora de Fátima e da Rainha Santa Isabel. As imagens de São Nicolau, Santo Expedito, Senhora da Conceição e Santa Teresinha do Menino Jesus encontram-se, actualmente, na Igreja Paroquial.
Sobre a porta principal pode ler-se:
“Esta Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, edificada para comemorar a victória portuguesa contra o exército francês da 2ª invasão em 16/2/1809, arruinou-se nos fins do século XIX, e foi reconstruída integralmente por iniciativa de Manuel Rodrigues Pires, com a colaboração do Dr. Manuel Busquets de Aguilar, e auxílio dos habitantes de Cristelo.
É propriedade da freguesia de Cristelo e foi inaugurada a 28/9/1941.»
Capela de Nossa Senhora da Ínsua
Integrada no conjunto do Forte da Ínsua, a Capela de Nossa Senhora da Ínsua encontra-se numa pequena ilha situada junto à foz do rio Minho, fronteira à costa de Moledo. O forte ergue-se entre rochedos graníticos e pequenas extensões de areia, constituindo um dos elementos mais emblemáticos da paisagem marítima desta região.
Com uma planta de forma aproximadamente hexagonal, a fortaleza foi mandada construir por D. João I, em 1388, tendo sido posteriormente reedificada e ampliada por D. Manuel I, em 1512. No interior da fortaleza foram construídos uma capela e um convento franciscano, fundado por Frei Diogo Aires, em 1392, no local onde anteriormente existia uma ermida dedicada a Santa Maria do Carmo.
Segundo alguns autores, a construção do convento terá sido motivada pela necessidade de garantir assistência espiritual aos navegantes que atravessavam a barra do rio Minho. A tradição conta também que, durante uma tempestade, os frades terão invocado a proteção de Nossa Senhora, atribuindo à sua intercessão a salvação de uma embarcação em perigo.
A devoção a Nossa Senhora da Ínsua, também conhecida como Santa Maria da Ínsua ou Senhora da Salva, está profundamente ligada à tradição marítima das comunidades costeiras. Invocada como proteção dos navegantes, a imagem de Nossa Senhora assumiu, ao longo dos séculos, um particular significado religioso para as populações da região, associando-se à devoção a Maria como “Estrela do Mar”.
A capela apresenta paredes de grande espessura e integra-se no conjunto arquitetónico do antigo convento franciscano. Ao longo dos séculos, o espaço foi marcado pela presença dos religiosos e pela devoção dos fiéis que, vindos de terra, procuravam neste lugar de culto um espaço de oração e proteção.
O Forte da Ínsua divide a barra do rio Minho em dois canais: o canal galego, a norte, e o canal português, a sul. Em condições de mar agitado, a ilha pode ficar temporariamente incomunicável, circunstância que contribuiu, ao longo da história, para o isolamento e singularidade deste conjunto.
Atualmente, a Capela de Nossa Senhora da Ínsua encontra-se num estado avançado de deterioração, pelo que a imagem de Nossa Senhora da Ínsua se encontra à guarda da Igreja Paroquial de Caminha.
O Forte da Ínsua está classificado como Monumento Nacional desde 1910. O conjunto encontra-se integrado no Programa REVIVE, tendo sido concessionado com vista à sua reabilitação e à instalação de um projeto turístico. Em 2026, o projeto continua sem previsão para o início das obras, mantendo o concessionário o interesse na sua concretização, enquanto se encontra em análise a regularização do uso previsto no Plano Diretor Municipal.
Em março de 2026, parte da muralha do Forte sofreu uma derrocada na sequência da forte agitação marítima, voltando a evidenciar o estado de conservação do monumento e a importância da sua preservação.
A Capela de Nossa Senhora da Ínsua permanece, assim, como testemunho de uma antiga presença religiosa e franciscana e de uma devoção profundamente ligada ao mar, à proteção dos navegantes e à identidade das comunidades desta região.
